Sinto que ainda estou em profunda luta contra esta doença que me atormenta desde os meus 14 anos.
Deixou e ainda continua a deixar marcas, que acho que muitas delas irão ficar para o resto da vida.
Causou-me medos, muitos medos... causou-me esquecimento e desapego. Causou-me desespero, desconfiança, ciúmes exagerados, e muita revolta.
Sinto que a pouco e pouco vou melhorando um pouco, mas as marcas, continuam cá. E sei que muitas delas, não irão desaparecer nunca!
Nem eu mesma me entendo! Vivo à pressa. Vivo como se o mundo fosse acabar no segundo a seguir. Vivo com medos de tudo e todos, de perder quem mais amo, de afastar todas as pessoas de mim. Tenho medo de não ser a pessoa que o meu namorado idealizou. Tenho um medo constante de o magoar, de o fazer sofrer. Muitas vezes penso que deveria ficar sozinha, para não magoar ninguém.
Há dias melhores, outros nem tanto. Há dias em que me sinto feliz, realizada, cheia de sonhos e vontade de viver, e outros dias que a minha maior vontade é de estar em casa, deitada e isolada do mundo. Sem ver nem ouvir ninguém. 
Esta doença trouxe-me muita coisa má, é verdade, mas também me trouxe muita coisa boa. Comecei a perceber que não tinha assim tantos amigos como julgava. Comecei e perceber que só podemos confiar em nós próprios. Comecei a aprender que nem todo o mundo nos quer bem. Quando estamos mal, não vemos ninguém à nossa volta. Precisamos de um ombro amigo e não o temos. Sentimos-nos sós, perdidas e desamparadas. Aprendi também que a vida é difícil para todos. Que não somos os únicos que temos problemas. Aliás, há muitas pessoas com problemas bem piores que os nossos. Aprendi também que só está do nosso lado quem quer estar. Não podemos obrigar ninguém a ficar do nosso lado. Se a pessoa não quer estar connosco nos momentos maus, também não merece estar nos momentos bons. Porque amigo é estar nos bons e maus momentos, em qualquer circunstância, a qualquer hora, a qualquer dia, a qualquer momento.
Muitas vezes choro e arrependo-me de coisas que digo ou que faço. Eu de mim própria já sou sensível, mas quando dou por mim a pensar em algumas coisas que digo ou faço às pessoas que mais gosto e que nunca me abandonaram, sinto logo um aperto muito grande no peito. 
Aprendi que não podemos implorar amor e amizade de ninguém. Quem está connosco, está sempre, sem julgamentos, sem atirar coisas à cara, sem julgar.
Mas também tenho tido muita sorte com a família que tenho. Sempre esteve do meu lado, sempre esteve lá quando eu mais precisava. E mesmo quando eu os mandava embora que não queria falar, eles continuavam lá. Fizeram os possíveis e os impossíveis por mim. Para me verem bem, recuperada e feliz. 
Posso não dizer todos os dias que os amo, que é a melhor família que poderia ter, mas eu sinto-o. Eles sim, nunca me abandonaram. Nem depois de eu dizer coisas horríveis e de querer desistir da minha própria vida. Vida que eles me deram, pois fui uma filha muito desejada por ambos.
Quando choro não quero que tenham pena de mim. Choro porque sinto necessidade de o fazer, pois foram demasiados anos a sofrer sozinha, a calar-me, a isolar-me. E agora, tenho muita necessidade de desabafar e tirar cá para fora aquilo que me atormenta. Chorar não é sinal de fraqueza, muito pelo contrário. Faz bem deitar para fora. É um alívio que se fica a sentir no peito.
Esta doença tirou-me muita coisa, mas também me deu muitas outras. Muitas oportunidades de me agarrar à vida. Tive muita sorte também em poder ter sido ajudada pela Clínica da Mente. Sem eles, também nada disto era possível. Apesar de ter dias menos bons, sinto-me uma pessoa diferente, melhor e com mais vontade de agarrar-me à vida. É normal, todos temos dias menos bons, o importante é dar a volta por cima e conseguir superar todos os obstáculos e ter muita força de vontade. Isso é muito importante.
Se não fosse a minha força de vontade, nada disto seria possível também. Sinto-me uma guerreira e sinto que lutei e vou continuar a lutar por mim. Porque eu mereço!

Comentários

  1. Gostaria que relesses este texto sempre que te sintas em baixo....amamo te nunca vamos desistir da tua felicidade.

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