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A mostrar mensagens de abril, 2016
Nem sei como tenho andado nestes últimos dias... sinto-me bem, mas ao mesmo tempo sinto-me bastante nervosa. Sempre com medo de tudo e todos, sempre com aquela ânsia do que irá acontecer daqui a pouco, sempre com aquele aperto no peito e sempre com dúvidas e incertezas. Juro que não acho o motivo, o porquê de eu estar assim, insegura, com medos e fraquezas. Sei que todos temos as nossas fraquezas, os nossos medos e as nossas inseguranças, mas acho que isto já é demais. Não quero, nem consigo sair de casa com medo das pessoas, com medo das coisas, e com medo de tudo à minha volta. Não consigo lidar com o facto de ter muita gente à minha volta, pois deixa-me bastante ansiosa e entro em pânico. Não consigo ir a festas por causa disso, para não estar no meio das pessoas, porque tenho medo, tenho medo de entrar em pânico.  Tenho ido à escola, mas é como se fosse "obrigada", pois também tenho que estar rodeada de pessoas, e isso deixa-me nervosa, mas o que tem que ser tem muita f...
Hoje sinto-me nervosa, bastante até. Tenho uma enorme vontade de chorar, vontade de aliviar a alma. Mas não, não percebo o porquê de hoje me ter levantado assim.  Sinto-me a tremer, sinto que não tenho forças para continuar esta viagem que é tão longa... não tenho forças sequer para me levantar.  Estar sozinha em casa deixa-me triste. Tenho medo de ter medo. Tenho medo da minha própria sombra, medo de tudo e todos. Que se passou comigo? Tenho medo de estar na escola, tenho medo de andar pelas ruas, e agora também tenho medo de estar sozinha na minha própria casa? Que é isto? Que se anda a passar na minha cabeça? Eu não era assim, não mesmo. Eu adorava sair de casa, adorava ir ensaiar, adorava estar com a minhas amigas, adorava a escola... e agora? Agora tenho medo de tudo, até de mim mesma.  Está a tornar-se sufocante, isto. Não quero sentir-me assim. Parece que está tudo a voltar ao início... e eu, não quero isso. Quero ser feliz, quero parar de ter ataques de pânico,...
Chamo-me Catarina, tenho 18 anos, e sou do distrito de Évora. Estou a escrever-vos porque senti necessidade de contar-vos a minha história, de contar-vos aquilo que vivi e aquilo por que tenho passado. Há três anos atrás foi-me diagnosticado "depressão". Tinha 15 anos apenas. Já tinha ouvido falar em depressão, mas não sabia bem a dimensão dessa doença.  Tinha imensos ataques de pânico, tinha medo de tudo e todos, já não conseguia dormir, auto-mutilava-me, tentei o suicídio várias vezes... então, decidi pedir ajuda, e sim, foi mesmo o melhor que podia ter feito. Pedi ajuda aos meus pais e eles decidiram levar-me ao hospital de Évora. Cheguei lá desesperada, a querer muito que me ajudassem pois eu já não estava a aguentar passar por aquilo sozinha. Fui atendida por uma psicóloga e uma psiquiatra e acharam que o melhor mesmo era eu ficar internada. Eu não queria. Eu achava que o melhor era mesmo vir para casa e estar longe de tudo e todos, mas lá aceitei e fiquei internada du...
Sinto-me cansada. Bastante até... Já não me reconheço, já não sei quem sou, nem que faço aqui. Parece que tenho um íman que atrai os problemas. Tudo me cai em cima... nunca faço nada de jeito... não sirvo para nada basicamente. A escola está quase a acabar e eu não sei o que vou fazer após isso. Quero ir trabalhar, como é óbvio, mas todos sabemos que o trabalho está escasso, e que é bastante complicado arranjar emprego. Mas eu não pretendo desistir. Muito pelo contrário, quero insistir até encontrar um trabalho. Quero ganhar a minha independência, e não estar dependente de ninguém.  Mas, eu tenho medo. Medo que ninguém me dê trabalho. Medo de não conseguir fazer aquilo que me mandam. Medo de não me aguentar a trabalhar. Medo de querer desistir novamente de viver. Eu sei que ainda não tenho experiência, mas também sei que ninguém nasce ensinado, portanto, tenho que pensar que vou ganhando a experiência a pouco e pouco e que vou conseguir arranjar um emprego e dar o meu melhor. ...
De mim para mim. Continua forte, Catarina. Tens uma vida pela frente... tens ainda muitos lugares e pessoas para conhecer... tens que continuar a lutar contra esta doença que tanto te tem atormentado. Tens ainda um longo caminho pela frente. Para quê desistires de viver? A tua família e os teus amigos iam sofrer bastante com isso, acredita.  Já conseguiste ultrapassar tantos obstáculos, conseguiste superar as tuas expectativas, pois pensavas que não eras capaz de chegar onde chegaste, mas tu, tu conseguiste! Ou melhor, estás a conseguir. Esta batalha está quase a chegar ao fim, eu acredito nisso. Continua a lutar, continua forte, pois tu sabes melhor que ninguém que há muita gente que só te quer ver no chão. Então, já sabes o que tens a fazer, é lutar! Lutar e mostrar sempre um sorriso para que não notem a tristeza que trazes no peito. Nunca duvides das tuas capacidades. Nunca duvides daquilo que tu és e daquilo que foste construindo a pouco e pouco. És linda! Tens um sorriso li...
Olá amiga, como estás?  Escrevo-te porque há muito tempo que não nos vimos. Escrevo-te porque tenho saudades tuas. Escrevo-te porque... sei que não tens andado bem. Que se passa contigo? Que se passa com a minha amiga? Eras uma rapariga tão sorridente. Uma rapariga muito, mas muito feliz. Que mudou para te teres tornado numa pessoa fria e arrogante? Que mudou em ti para te teres tornado numa pessoa distante? Tu não eras assim... tenho saudades da pessoa que eras antigamente. Sei que todas nós nos tornamos mais frias, porque houve alguém que nos magoou tanto ao ponto de mudarmos e nos tornarmos mais desconfiadas, com menos confiança nas pessoas... não nego, eu também mudei, e percebo que tu também tenhas mudado, pois nós não temos que aguentar tudo caladas... não temos que aguentar os maus humores de toda a gente, nem temos que sorrir para quem nos faz chorar. Eu entendo-te, a sério. Mas eu gostava de saber o teu motivo. O motivo que fez com que tu mudasses radicalmente. O motivo...
Só nós é que sabemos o que passámos nestes últimos três anos, não é, mãe? Não é, pai? Não é, mana? Vocês é que presenciaram os meus ataques de pânico. Presenciaram os meus choros, as minhas tristezas, os meus gritos, a minha raiva com a vida... presenciaram coisas que eu nunca imaginei que poderia fazer a mim mesma. Vocês têm aguentado muito!  Sou sincera, nunca imaginei que a minha vida pudesse ter dado uma volta de 180 graus... nunca imaginei ter que recorrer a médicos, ter que recorrer a medicamentos para me sentir melhor. Nunca imaginei que fosse ficar 4 vezes internada no hospital. Nunca imaginei que a felicidade fosse virar tristeza, e os sorrisos em lágrimas... não, nunca imaginei mesmo! Como disse no início deste texto, só eu, os meus pais e a minha irmã é que sabem aquilo por que passámos. Não foi fácil... nada mesmo...  Eu chorava, eu gritava, eu tinha ataques de ansiedade, eu cortava-me, tentei matar-me inúmeras vezes, e vocês, estiveram lá... sempre estiveram lá...