Chamo-me Catarina, tenho 18 anos, e sou do distrito de Évora. Estou a escrever-vos porque senti necessidade de contar-vos a minha história, de contar-vos aquilo que vivi e aquilo por que tenho passado.
Há três anos atrás foi-me diagnosticado "depressão". Tinha 15 anos apenas. Já tinha ouvido falar em depressão, mas não sabia bem a dimensão dessa doença.
Tinha imensos ataques de pânico, tinha medo de tudo e todos, já não conseguia dormir, auto-mutilava-me, tentei o suicídio várias vezes... então, decidi pedir ajuda, e sim, foi mesmo o melhor que podia ter feito. Pedi ajuda aos meus pais e eles decidiram levar-me ao hospital de Évora. Cheguei lá desesperada, a querer muito que me ajudassem pois eu já não estava a aguentar passar por aquilo sozinha. Fui atendida por uma psicóloga e uma psiquiatra e acharam que o melhor mesmo era eu ficar internada. Eu não queria. Eu achava que o melhor era mesmo vir para casa e estar longe de tudo e todos, mas lá aceitei e fiquei internada durante uns dias. Nos primeiros dias, auto-mutilei-me dentro do hospital... não sei o que se passou, nem como, só sei que não era eu que estava em mim... parece que alguém me estava a comandar e a dizer-me para eu o fazer, que não valia nada... mas, passado alguns dias já me sentia melhor quando vim para casa, ou melhor, eu pensava que estava melhor, mas, o pior aconteceu. Voltei a ficar internada porque voltei a tentar o suicídio e continuei a auto-mutilar-me. Estava decidida a melhorar, e o que eu mais queria era curar-me da depressão, então, já aceitei melhor o internamento. Lá fiquei mais uns dias. Voltou a acontecer a mesma coisa. Pensei estar melhor, mas passado uns tempos, voltei a ir-me abaixo. Procurei um médico particular em Lisboa e fui a 3 consultas com ele. Eu estava desesperada, os meus pais desesperados estavam, então achámos melhor procurar um médico particular. Mas era bastante caro e não conseguiram manter-me lá. E sou sincera, eu também não gostei muito de lá andar. Enquanto andei nesse médico, andava a tomar 9 comprimidos por dia... não conseguia pensar, não conseguia quase falar, andar, fazer as tarefas de casa, estar na escola a ouvir matéria... deixava-me dormir nas aulas devido à muita medicação que tomava. Então, preferi voltar às médicas que me tinham acompanhado antes... passado alguns meses, voltei a ir-me abaixo. Ora estava bem, ora estava mal. Num momento estava a rir, como no outro estava a chorar... voltei a ficar internada, mas desta vez em Lisboa, na Estefânia. Foram 7 dias. 7 dias de muito sofrimento e choro, quer para mim como para os meus pais. A minha mãe não podia estar lá comigo e só podia visitar-me das 18 às 20h. Sempre que me despedia da minha mãe, eu chorava. Foi uma semana horrível. Estar lá sozinha, sem conhecer ninguém, a ver pessoas com os mesmos problemas que o meu, e até piores... foi tão mau. Quando recordo essa semana, só tenho vontade de chorar. O tempo passava muito devagar, as portas estavam sempre trancadas... enfim... não gostei de lá estar. Mas, as enfermeiras eram espetaculares, e as auxiliares também. Gostei muito das pessoas, do sítio é que não. É como se tivéssemos presos numa prisão. Mas, continuando, lá me deram a alta e eu vim para casa. Sentia-me melhor, como das outras vezes, mas voltei a ficar internada, pelos mesmos motivos.
Num ano, fiquei internada 4 vezes... num ano, cometi imensas loucuras... num ano, eu fui a pessoa mais infeliz do mundo! Já se passaram 3 anos desde o primeiro internamento, e nestes últimos 2 anos, eu deixei de me auto-mutilar, deixei de me querer matar, e não tenho precisado de internamentos...
Confesso que a partir do segundo internamento só queria era estar no hospital... era lá que me sentia bem. Mas agora, eu quero é estar na minha casa, com a minha família, a aproveitar aquilo que não vivi, a aproveitar aquilo que deixei de fazer por medo.
Com tanta medicação, eu engordei 15 kg... e a minha boa memória "foi-se", como se costuma dizer. Não me lembro de muita coisa que vivi nestes últimos 3 anos, devido à muita medicação que tomava. É bom lembrarmos-nos das coisas que vivemos, mas quando as coisas são más, é melhor não termos recordações delas. O que importa agora é que eu já estou melhor. O que importa é que eu consegui levantar-me e ultrapassar os obstáculos. Se custou? Fogo, custou muito! Mas os obstáculos é para serem ultrapassados, e eu consegui! Estava bem no fundo, estava! Mas eu consegui! Sou uma guerreira, agora sim posso dizê-lo. E não tenho vergonha nenhuma de contar a minha história... vergonha é roubar! Tenho pena que muita gente se tenha afastado de mim, mas a vida é mesmo assim, e nós temos que saber que os amigos nós podemos escolher, a família não...
A minha família foi uma peça muito importante. E agradeço por ter os pais e a irmã que tenho. Não poderia pedir melhor!
A vida vai-nos mostrando a pouco e pouco aquilo que somos e aquilo que conseguimos ultrapassar. Sem dúvida que foi um percurso difícil, mas são os difíceis que dão mais prazer em percorrer. Obrigada às minhas médicas também, que com os conselhos delas, me fizeram abrir os olhos. Mas eu sei que a peça principal para eu ter melhorado fui eu. Se não formos nós a querer melhorar, nós nunca vamos melhorar. Disso tenho eu a certeza.
Pensamento positivo sempre! E claro, cabeça erguida.
Ps: Se não foi isto que "acabou" comigo, não vai ser mais coisa nenhuma... acredito em mim e nas minhas capacidades e sei aquilo que sou! Sou uma pessoa corajosa e forte. Aprendi isso tarde, é verdade, mas mais vale tarde que nunca.
Estou aqui e continuarei a estar para dar conselhos às pessoas que passam ou passaram pelo mesmo que eu, e acho seriamente que o meu testemunho é muito importante para que essas pessoas abram os olhos, assim como eu também os abri. Não se preocupem com o que outros pensam ou dizem, o importante são vocês! Só vocês! Amem-se em primeiro lugar, e só depois pensem em amar alguém. Tive muitos anos sem gostar de mim, mas agora, eu percebi que o mais importante somos nós. Só nós! E não vivam para agradar a ninguém, agradem-se a vós próprios. E vivam! Porque a vida é curta e ela passa a correr.
Há três anos atrás foi-me diagnosticado "depressão". Tinha 15 anos apenas. Já tinha ouvido falar em depressão, mas não sabia bem a dimensão dessa doença.
Tinha imensos ataques de pânico, tinha medo de tudo e todos, já não conseguia dormir, auto-mutilava-me, tentei o suicídio várias vezes... então, decidi pedir ajuda, e sim, foi mesmo o melhor que podia ter feito. Pedi ajuda aos meus pais e eles decidiram levar-me ao hospital de Évora. Cheguei lá desesperada, a querer muito que me ajudassem pois eu já não estava a aguentar passar por aquilo sozinha. Fui atendida por uma psicóloga e uma psiquiatra e acharam que o melhor mesmo era eu ficar internada. Eu não queria. Eu achava que o melhor era mesmo vir para casa e estar longe de tudo e todos, mas lá aceitei e fiquei internada durante uns dias. Nos primeiros dias, auto-mutilei-me dentro do hospital... não sei o que se passou, nem como, só sei que não era eu que estava em mim... parece que alguém me estava a comandar e a dizer-me para eu o fazer, que não valia nada... mas, passado alguns dias já me sentia melhor quando vim para casa, ou melhor, eu pensava que estava melhor, mas, o pior aconteceu. Voltei a ficar internada porque voltei a tentar o suicídio e continuei a auto-mutilar-me. Estava decidida a melhorar, e o que eu mais queria era curar-me da depressão, então, já aceitei melhor o internamento. Lá fiquei mais uns dias. Voltou a acontecer a mesma coisa. Pensei estar melhor, mas passado uns tempos, voltei a ir-me abaixo. Procurei um médico particular em Lisboa e fui a 3 consultas com ele. Eu estava desesperada, os meus pais desesperados estavam, então achámos melhor procurar um médico particular. Mas era bastante caro e não conseguiram manter-me lá. E sou sincera, eu também não gostei muito de lá andar. Enquanto andei nesse médico, andava a tomar 9 comprimidos por dia... não conseguia pensar, não conseguia quase falar, andar, fazer as tarefas de casa, estar na escola a ouvir matéria... deixava-me dormir nas aulas devido à muita medicação que tomava. Então, preferi voltar às médicas que me tinham acompanhado antes... passado alguns meses, voltei a ir-me abaixo. Ora estava bem, ora estava mal. Num momento estava a rir, como no outro estava a chorar... voltei a ficar internada, mas desta vez em Lisboa, na Estefânia. Foram 7 dias. 7 dias de muito sofrimento e choro, quer para mim como para os meus pais. A minha mãe não podia estar lá comigo e só podia visitar-me das 18 às 20h. Sempre que me despedia da minha mãe, eu chorava. Foi uma semana horrível. Estar lá sozinha, sem conhecer ninguém, a ver pessoas com os mesmos problemas que o meu, e até piores... foi tão mau. Quando recordo essa semana, só tenho vontade de chorar. O tempo passava muito devagar, as portas estavam sempre trancadas... enfim... não gostei de lá estar. Mas, as enfermeiras eram espetaculares, e as auxiliares também. Gostei muito das pessoas, do sítio é que não. É como se tivéssemos presos numa prisão. Mas, continuando, lá me deram a alta e eu vim para casa. Sentia-me melhor, como das outras vezes, mas voltei a ficar internada, pelos mesmos motivos.
Num ano, fiquei internada 4 vezes... num ano, cometi imensas loucuras... num ano, eu fui a pessoa mais infeliz do mundo! Já se passaram 3 anos desde o primeiro internamento, e nestes últimos 2 anos, eu deixei de me auto-mutilar, deixei de me querer matar, e não tenho precisado de internamentos...
Confesso que a partir do segundo internamento só queria era estar no hospital... era lá que me sentia bem. Mas agora, eu quero é estar na minha casa, com a minha família, a aproveitar aquilo que não vivi, a aproveitar aquilo que deixei de fazer por medo.
Com tanta medicação, eu engordei 15 kg... e a minha boa memória "foi-se", como se costuma dizer. Não me lembro de muita coisa que vivi nestes últimos 3 anos, devido à muita medicação que tomava. É bom lembrarmos-nos das coisas que vivemos, mas quando as coisas são más, é melhor não termos recordações delas. O que importa agora é que eu já estou melhor. O que importa é que eu consegui levantar-me e ultrapassar os obstáculos. Se custou? Fogo, custou muito! Mas os obstáculos é para serem ultrapassados, e eu consegui! Estava bem no fundo, estava! Mas eu consegui! Sou uma guerreira, agora sim posso dizê-lo. E não tenho vergonha nenhuma de contar a minha história... vergonha é roubar! Tenho pena que muita gente se tenha afastado de mim, mas a vida é mesmo assim, e nós temos que saber que os amigos nós podemos escolher, a família não...
A minha família foi uma peça muito importante. E agradeço por ter os pais e a irmã que tenho. Não poderia pedir melhor!
A vida vai-nos mostrando a pouco e pouco aquilo que somos e aquilo que conseguimos ultrapassar. Sem dúvida que foi um percurso difícil, mas são os difíceis que dão mais prazer em percorrer. Obrigada às minhas médicas também, que com os conselhos delas, me fizeram abrir os olhos. Mas eu sei que a peça principal para eu ter melhorado fui eu. Se não formos nós a querer melhorar, nós nunca vamos melhorar. Disso tenho eu a certeza.
Pensamento positivo sempre! E claro, cabeça erguida.
Ps: Se não foi isto que "acabou" comigo, não vai ser mais coisa nenhuma... acredito em mim e nas minhas capacidades e sei aquilo que sou! Sou uma pessoa corajosa e forte. Aprendi isso tarde, é verdade, mas mais vale tarde que nunca.
Estou aqui e continuarei a estar para dar conselhos às pessoas que passam ou passaram pelo mesmo que eu, e acho seriamente que o meu testemunho é muito importante para que essas pessoas abram os olhos, assim como eu também os abri. Não se preocupem com o que outros pensam ou dizem, o importante são vocês! Só vocês! Amem-se em primeiro lugar, e só depois pensem em amar alguém. Tive muitos anos sem gostar de mim, mas agora, eu percebi que o mais importante somos nós. Só nós! E não vivam para agradar a ninguém, agradem-se a vós próprios. E vivam! Porque a vida é curta e ela passa a correr.
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