Estou feliz, é um facto. Mas, de vez em quando o meu coração aperta. Aperta muito... Talvez sejam as saudades, as palavras que ficam por dizer... Talvez seja aquele medo de o perder, de não conseguir aguentar... de não conseguir estar longe dele, da minha família e da minha casa. Talvez seja isto tudo que por vezes me sufoca...
Não é fácil. Nada mesmo. De um momento para o outro, a minha vida deu uma volta muito grande. Comecei a trabalhar, fora da minha terra, estou a viver sozinha. Estou aqui, e tenho que me desenrascar sozinha também. 
Talvez seja o medo de não conseguir surpreender os meus pais, a minha família, o meu namorado. Talvez seja o medo de não conseguir ser boa o suficiente, de não conseguir fazer o trabalho como deve ser.
Há dias em que tenho mais forças que outros... há dias em que me sinto mais corajosa, outros dias que me sinto muito triste, com medos, ansiedade. Há dias em que não consigo ouvir nada nem ninguém. Nem a mim mesma.
Há dias em que o que quero muito é conseguir. Outros dias, em que só me apetece desistir.
Gostava que tudo fosse mais fácil. Estar perto das pessoas que mais amo, da minha casa. Mas eu sei, eu sei que tem que ser. Tenho que aqui continuar para ir juntando dinheiro, ganhar a minha independência, fazer a minha vida... tenho que continuar a fazer esforços para que um dia, eu tenha as minhas coisas, a minha casa, a minha família. Não é fácil isto...
Gostava de ser uma rapariga muito mais forte, mais corajosa... mas por vezes, é só mesmo uma máscara. Por dentro, estou a morrer e com medo de tudo isto. Por dentro estou a sufocar com as palavras que não consigo dizer, com o medo de perder as minhas pessoas. Dói tanto, e ninguém imagina. 
De um momento para o outro, eu tive que aprender a ser forte, a conseguir desenrascar-me sozinha, a viver sozinha, a fazer as coisas sozinha, a trabalhar, a conduzir e a deixar o medo de lado. Só eu sei o que sinto quando conduzo. Só eu sei o medo que sinto quando algum carro passa ao meu lado. Eu canto... canto para me distrair, canto para esquecer que estou a conduzir. Porque quando penso... quando penso tenho medo.
Todos pensam que está a ser muito fácil para mim... porque eu também aparento que estou bem. Mas a minha cabeça está fraca. O meu cérebro por vezes pára. Não consigo pensar, não consigo reagir. Por vezes, a minha maior vontade é de chorar, deitar tudo cá para fora. Mas eu não posso... eu não posso mostrar as minhas fraquezas. Não posso deixar a minha família, amigas e namorado mal. Não posso desistir. Mas dói... dói tanto!
É uma grande vitória eu estar a conseguir. De um momento para o outro, sair de casa, estar sozinha, começar a trabalhar, fazer as minhas coisas... é um grande passo... mas custa!
Só eu sei o cansaço que tenho em cima. Só eu sei as vezes em que só me apetece estar deitada, sem ver nem ouvir ninguém. Só eu sei as vezes em que engoli o choro, as vezes em que não disse aquilo que pensava para não magoar ninguém. Só eu sei. Mais ninguém...
Tentar ajudar os outros, e não conseguir seguir os meus próprios conselhos... Mostrar que estou bem e que sou um exemplo a seguir. Mas dói... dói tanto!
Sou forte, eu sei que sou! E eu hei-de conseguir! Vou mostrar a mim mesma que eu consigo! Que não sou menos que ninguém. Vou mostrar a mim mesma que aquela menina vulnerável que passava os dias em casa, no quarto, "escondida" de tudo, hoje é uma MULHER. E que conseguiu ultrapassar o maior obstáculo da vida dela. E há-de conseguir superar tudo o que lhe aparecer à frente. Mas dói... dói muito!

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