Sinto-me revoltada. Revoltada com a vida. Tirou-me duas coisas importantes da minha vida. Tirou-me os meus dois gatinhos. Ela morreu há dois meses, e ele morreu ontem... tirou-me a minha companhia. Porque sim, eles faziam-me companhia a toda a hora. Eram meigos, e lindos! Eu falava com eles, eu desabafava com eles, eu adorava-os! Mas a vida decidiu tirarmos... e agora? Agora com quem vou falar quando estiver sozinha em casa? Com quem vou desabafar os meus problemas? Eles podiam não responder, mas ouviam e por vezes compreendiam. Quando eu estava triste, eles iam ter comigo a miar. E quando era para irem à rua fazer as suas necessidades, eles miavam à porta. Só lhes faltava falarem.
Injusta. A vida é muito injusta. Tirou-me os meus melhores amigos, assim, do nada. E morreram da mesma forma, atropelados. As pessoas que os atropelaram até podem não ter feito por mal, porque sinceramente, acho que ninguém é capaz de atropelar um animal de propósito... mas, fizeram-no. Tiraram-me ontem o Becas. Fui dar com ele morto na berma de uma estrada. Acho que a imagem nunca mais me vai sair da cabeça. Vê-lo cheio de sangue e já tão duro...
Ele não aparecia em casa há dois dias, e eu estranhei. A gente chamava-o, e ele não aparecia. Eu parece que tinha um pressentimento que algo não estava bem. Eu e a minha irmã fomos dar com ele já morto. Comecei aos gritos e a chorar, muito nervosa. Acho que a imagem dele já não me sai da cabeça. 
Nem me deram tempo para me despedir dele. Ganhamos amor aos animais e depois a vida é assim, tira-nos sem quês nem porquês.
Sim, não vou mentir. Sinto-me completamente revoltada. É uma injustiça perdermos quem mais amamos. Sei que é a lei da vida, e que quando nascemos só temos uma certeza, que morremos. Temos que nos preparar para isso. Mas ninguém me deu tempo para me despedir dele. Ninguém me disse que ele hoje já cá não estaria. 
Era mimoso... muito mimoso. Mas dele só quero ter boas recordações. Não quero lembrar-me mais da última vez que o vi, porque sempre que me lembro, as lágrimas correm cara abaixo.

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