Querido avô, hoje vou escrever para ti. 
Tenho saudades tuas. Tantas, mas tantas... saudades dos teus carinhos, saudades das tuas palavras e saudades de ti, principalmente.
Deixaste-nos o ano passado. Está quase a fazer um ano que partiste, e as saudades cada vez são maiores. 
Nunca te esquecias de mim. Perguntavas-me sempre se eu estava melhor. E eu para não te deixar triste, respondia sempre "sim avô, estou melhor, obrigada". Preocupavas-te sempre connosco, com os teus netos e filhos. Eras um homem lutador, um homem com garra... e a coisa de que mais tinhas medo era da morte. E ela chegou cedo, infelizmente.
Sofreste tanto antes de partires, mas, o que eu acho e o que todos acham, é que na hora da morte, não sofreste, pois foi uma morte muito rápida. Caíste para o lado e lá ficaste, sem consciência. Tentaram reanimar-te, mas sem sucesso. Já tinhas partido... 
Todos os dias me lembro de ti. Todos os dias sinto a tua falta. Mas, eu sei que tu estás aí em cima a olhar por todos nós. Eu sei que foste tu que ajudaste a avó quando ela também esteve quase a falecer. Foste tu que olhaste por ela aí em cima e lhe deste muita, mas muita força. Tu sabes que ela é uma mulher guerreira, tal como tu, mas eu sei que tiveste sempre a cuidar dela, e a transmitir-lhe muita força.
Não aproveitei bem o tempo contigo quando tu estavas cá, eu sei, e peço-te desculpa por isso e por tudo. Desculpa se alguma vez fiz algo que não gostasses, ou disse algo que não devia. Tu sabes o que vales para mim, sabes o quanto eu gosto de ti e o quanto adoraria que ainda cá estivesses, mas a vida é mesmo assim. Mais vale eu ver-te partir a ti, do que tu veres-me partir a mim.
Confesso que neste momento, não sei que dizer mais, pois tenho um nó na garganta, e as lágrimas querem soltar-se, mas, eu sou forte. Tu ensinaste-me a sê-lo. 
Ainda não consigo acreditar que partiste, que nos deixaste. Já passou quase um ano, e ainda penso que cá estás. Não estou em mim ainda. Não quero acreditar que seja verdade. Que o meu querido avô tenha partido assim, tão novo. Mas é a vida. Leva uns, traz outros. 
Olha por mim aí em cima, avô. Não deixes que eu desista de viver. Dá-me força como deste à avó. Eu sei que foste tu, portanto, dá-me força a mim também para continuar esta viagem que é tão curta para uns e longa para outros. Não deixes que me façam mal. És a minha estrelinha. A estrelinha mais brilhante do céu. 
Adoro-te muito, tu sabes!

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