Hoje não sei bem por onde começar... acho melhor começar pelo início.
Já se passaram três anos... como o tempo passa depressa, não é? Como o tempo voa... e sem nós darmos por isso.
Então, vamos lá. Foi à três anos atrás que começou o meu pior pesadelo. Uma nuvem escura começou a assombrar-me.
Olho para trás e vejo que esses mesmos três anos passaram a voar, e que eu, perdi toda a minha adolescência. E, além de ter perdido a melhor parte da vida, que é a adolescência, perdi também amigos, perdi também a vontade de viver, a vontade de sair, seja de tarde ou de noite. Perdi a vontade de ir ensaiar. Quem diria... quem diria que eu ia deixar de gostar daquilo que mais alegria me trazia, a dança. Quem diria que eu ia deixar de gostar de sair, de estar com os meus amigos... quem diria...
Nunca imaginei que esta doença me atacasse tanto, nunca imaginei que esta doença me arruinasse os sonhos. Que me arruinasse a vida.
Isto está a durar uma eternidade. Começo a acreditar que isto nunca terá fim. Começo a acreditar que nunca me vou livrar desta doença! Começo mesmo a acreditar que vou ficar assim para o resto da vida.
Eu era uma rapariga feliz, era uma rapariga com um grupo enorme de amigos. Era uma criança que todos invejavam por ter um sorriso contagiante, e uma alegria imensa. Mas agora, tudo se virou do avesso. A alegria virou tristeza, e o sorriso contagiante virou lágrimas, gritos e raiva. Raiva de tudo à minha volta, raiva das pessoas, raiva do que sou e do que me tornei.
Só quem passa por elas é que sabe! É o que costumo dizer, e acho que é bastante verdade. Toda a gente me criticou, e ainda critica. Dizem que sou fraca, que prefiro desistir à primeira do que lutar, que só não sou feliz porque não quero... mas, as pessoas que o dizem, não sabem nada de nada. Não sabem o que é viver com esta doença. Não sabem o que é ter que aguentar o choro e fingir um sorriso. Não sabem as vezes que me controlei para não chorar. Não sabem o que é verem a vossa vida a "andar para trás". Não sabem o que é guardar tudo para vocês por terem medo do que os outros vão dizer ou achar. Não sabem como as pessoas com depressão se aguentam à noite, agarradas à almofada. Sozinhas e a chorar. A chorar, sim. Porque é a única vez que o podemos fazer. É todos os dias à noite! Sem ninguém nos ver. Sem ninguém nos criticar. Não sabem como nós andamos. Porque acreditem, eu não sei como ainda consigo estar de pé. Não sei como ainda consigo andar, falar e reagir perante todo o mundo. Ninguém sabe o quanto nós aguentamos caladas. Ninguém sabe o quão difícil é pedir ajuda e admitirmos que estamos "doentes". Mas, eu consegui. Eu consegui pedir ajuda, e orgulho-me disso. Orgulho mesmo! Portanto, antes de me criticares a mim, ou a outra pessoa qualquer, lembra-te que não é só a aparência que importa. Podemos estar sempre a sorrir, mas por dentro, estamos uma lástima... portanto, lembra-te que todos nós um dia caímos. Ninguém é de ferro. Ninguém aguenta tudo. Um dia gozas com uma pessoa ou criticas-a, e no outro dia, passarás pelo mesmo, ou ainda pior. É assim a vida. "Um dia gozas, no outro dia és tu o gozado". Por isso, pensa bem antes de criticares alguém, pois não sabes o que essa pessoa passa, não sabes a força que essa pessoa tem. Porque se ela ainda cá está, é devido à sua força. Ninguém sabe! Ninguém!
Lembra-te só de uma coisinha, agora podes estar bem e feliz, mas nem tu, nem eu, nem ninguém sabemos o dia de amanhã. Amanhã podes ser tu a sofrer. E aí? Como vai ser?
Ajuda quem precisa. Dá a mão a quem está sozinho no mundo. E vais ver que se ajudares, no fim, vais-te sentir bem contigo mesmo. E dá muita força a quem não a tem. Apenas isso.
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