Tudo começou com o nascimento da minha irmã... os ciúmes e a revolta começaram. Comecei a culpá-la porque foi descoberto "fibromialgia" à minha mãe após o parto...
Comecei a andar em psicólogas a partir dos oito anos. Era agressiva em casa para os meus pais e irmã, respondia-lhes mal e gritava muito.
Mas tudo piorou quando eu tinha catorze anos. Tive a minha primeira tentativa de suicídio com gás. Após isso, comecei a auto-mutilar-me e a não gostar da vida nem de mim. Pedi ajuda aos meus pais, pois não queria viver assim, a auto destruir-me... fomos até ao hospital de Évora onde fiquei sob observação. Passei por dois internamentos na pediatria em Évora, um na psiquiatria e outro na Estefânia, em Lisboa. Ou seja, passei por quatro internamentos... quando estava internada, eu pensava que era dessa que ia ser feliz e curar-me. Estava bem melhor sempre que saía dos internamentos. Mas depois...depois piorava. Tive muitos efeitos secundários dos medicamentos e cheguei a tomar 8 comprimidos por dia. Eu já nem sei como andava e falava. Não me recordo de muita coisa que vivi nestes últimos anos, pois os medicamentos fizeram-me perder muito a memória.
Eu não saía de casa. Eu isolei-me por completo. Muitos dos meus "amigos" abandonaram-me mesmo no momento em que mais precisei deles, mas isso já eu sabia que quando nós estamos mal, são poucas as pessoas que continuam do nosso lado a apoiar-nos.
E o meu namorado, naquela altura foi uma desilusão, pois deixou-me um dia depois de eu sair da Estefânia... mais uma desilusão para juntar às outras... foi também os acidentes de carro do meu pai e da minha mãe que me traumatizaram um pouco... por isso é que eu acho que ganhei medo a conduzir.
Eu atirei-me duas vezes das escadas da escola para me matar... tomei comprimidos e fiz uma lavagem ao estômago no hospital... eu tentei mil e uma coisas para me matar, pois não estava a aguentar viver mais assim. Tinha sempre aquela nuvem escura em cima de mim, que me assombrava todos os dias...
E as mudanças de humor? Essas eram muito frequentes... ora estava bem e a sorrir, como no minuto a seguir estava a chorar compulsivamente.
Nunca me considerei uma pessoa fraca, porque sei aquilo que valho. Lutei bastante e continuo a lutar... e por mais que as forças ameacem abandonarem-me, eu vou arranjar sempre forças, nem que seja preciso eu "escavar" e ir até onde fosse preciso. Porque eu tenho que lutar... porque eu tenho que gostar de mim... porque eu tenho que recuperar o tempo que perdi... mas são muitos anos a passar por isto...
Eu tenho tudo o que sonhei, mas mesmo assim sou infeliz. Eu tenho um carro, tenho a carta de condução, acabei o décimo segundo ano... vou começar num curso à segunda feira... não vou ganhar muito, mas pelo menos estou distraída e não estou em casa a pensar em coisas más. Tenho tudo aquilo que muita gente gostaria de ter, mas eu não sou feliz. Não me sinto bem comigo mesma. Não gosto do que vejo ao espelho. Chega o Inverno e é isto. Começo a engordar e depois não gosto daquilo que vejo.
É muito complicado e só quem passa por isto é que consegue compreender aquilo por que tenho passado. Muitos criticam, mas na verdade, nem me conhecem.
Comecei a andar em psicólogas a partir dos oito anos. Era agressiva em casa para os meus pais e irmã, respondia-lhes mal e gritava muito.
Mas tudo piorou quando eu tinha catorze anos. Tive a minha primeira tentativa de suicídio com gás. Após isso, comecei a auto-mutilar-me e a não gostar da vida nem de mim. Pedi ajuda aos meus pais, pois não queria viver assim, a auto destruir-me... fomos até ao hospital de Évora onde fiquei sob observação. Passei por dois internamentos na pediatria em Évora, um na psiquiatria e outro na Estefânia, em Lisboa. Ou seja, passei por quatro internamentos... quando estava internada, eu pensava que era dessa que ia ser feliz e curar-me. Estava bem melhor sempre que saía dos internamentos. Mas depois...depois piorava. Tive muitos efeitos secundários dos medicamentos e cheguei a tomar 8 comprimidos por dia. Eu já nem sei como andava e falava. Não me recordo de muita coisa que vivi nestes últimos anos, pois os medicamentos fizeram-me perder muito a memória.
Eu não saía de casa. Eu isolei-me por completo. Muitos dos meus "amigos" abandonaram-me mesmo no momento em que mais precisei deles, mas isso já eu sabia que quando nós estamos mal, são poucas as pessoas que continuam do nosso lado a apoiar-nos.
E o meu namorado, naquela altura foi uma desilusão, pois deixou-me um dia depois de eu sair da Estefânia... mais uma desilusão para juntar às outras... foi também os acidentes de carro do meu pai e da minha mãe que me traumatizaram um pouco... por isso é que eu acho que ganhei medo a conduzir.
Eu atirei-me duas vezes das escadas da escola para me matar... tomei comprimidos e fiz uma lavagem ao estômago no hospital... eu tentei mil e uma coisas para me matar, pois não estava a aguentar viver mais assim. Tinha sempre aquela nuvem escura em cima de mim, que me assombrava todos os dias...
E as mudanças de humor? Essas eram muito frequentes... ora estava bem e a sorrir, como no minuto a seguir estava a chorar compulsivamente.
Nunca me considerei uma pessoa fraca, porque sei aquilo que valho. Lutei bastante e continuo a lutar... e por mais que as forças ameacem abandonarem-me, eu vou arranjar sempre forças, nem que seja preciso eu "escavar" e ir até onde fosse preciso. Porque eu tenho que lutar... porque eu tenho que gostar de mim... porque eu tenho que recuperar o tempo que perdi... mas são muitos anos a passar por isto...
Eu tenho tudo o que sonhei, mas mesmo assim sou infeliz. Eu tenho um carro, tenho a carta de condução, acabei o décimo segundo ano... vou começar num curso à segunda feira... não vou ganhar muito, mas pelo menos estou distraída e não estou em casa a pensar em coisas más. Tenho tudo aquilo que muita gente gostaria de ter, mas eu não sou feliz. Não me sinto bem comigo mesma. Não gosto do que vejo ao espelho. Chega o Inverno e é isto. Começo a engordar e depois não gosto daquilo que vejo.
É muito complicado e só quem passa por isto é que consegue compreender aquilo por que tenho passado. Muitos criticam, mas na verdade, nem me conhecem.
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